Londrina (PR) passou a devolver para dentro da rua, na quarta-feira 7 de outubro, o material que antes saía dela em caminhão de bota-fora. O fresado retirado da Rua Roma, no Jardim Piza, zona sul, foi levado a uma usina, tratado e voltou ao mesmo pavimento como base e sub-base.
São 1.240 m² de reparo profundo, o primeiro trecho da cidade executado com asfalto reciclado, técnica que o setor chama de RAP Espumado. A obra corre dentro do programa Recape Tá ON e está nas mãos da Vigent Construção.
O caminho do asfalto reciclado: da Rua Roma até a usina e de volta
“O RAP Espumado é uma reciclagem do próprio material que é fresado da pavimentação”, explicou Fábio Oliveira, secretário municipal de Obras e Pavimentação de Londrina. O material sai da via, passa por tratamento específico na usina da própria empreiteira e retorna às camadas de base e sub-base.
O serviço começa pela fresadora, que raspa o pavimento velho e joga o material na caçamba. O que seguia para o bota-fora agora entra na usina e volta para a mesma rua, uma camada abaixo do asfalto que o motorista pisa.
Oliveira afirma que o material tem custo mais baixo e evita o descarte, porque sai do próprio pavimento.
No reparo profundo, a equipe remove as camadas comprometidas da via antes de recompor o pavimento, serviço mais caro e mais lento que o tapa-buraco. É nessa camada de baixo que o fresado tratado entra, e foi num trecho desse tipo de serviço que a prefeitura estreou a técnica.
Os recursos do Recape Tá ON vêm de um acordo com o governo do estado e são geridos pelo Paranacidade. O programa prevê recuperar mais de 600 mil m² de pavimento, o equivalente a 70 km de vias municipais.
Os números do Recape Tá ON
R$ 137 milhões de investimento no programa
Mais de 600 mil m² de pavimento a recuperar
70 km de extensão de vias municipais
1.240 m² de reparo profundo no trecho da Rua Roma
Pelos dois números divulgados pela prefeitura, a média do programa não passa de R$ 228,33 por metro quadrado recuperado. É uma média do conjunto das vias, e cada tipo de serviço puxa a cifra para cima ou para baixo.
A carregadeira que alimenta a usina e remexe a pilha de fresado
Base e sub-base são as camadas que ficam embaixo do asfalto, e é nelas que a brita e o material granular pesam no orçamento de um recape. Trocar parte desse volume por fresado tratado mexe direto na compra de agregado da obra.
Para a empreiteira, o fresado deixou de ser despesa de descarte e virou insumo de pátio. E a demanda por massa asfáltica e agregado não para na rua urbana, como mostram as licitações de rodovia que o órgão federal divulgou nesta semana.
Na usina, a carregadeira dita o ritmo: é ela que alimenta o silo de agregado e remexe a pilha de RAP estocada. Uma intermediária como a BRT20, da Bruto Brasil, carrega de 1.800 a 2.000 kg, com 1,0 m³ de caçamba, 5.500 kg na balança e descarga a 3.750 mm.
Nessa faixa de serviço, a Caterpillar é forte em rede de pós-venda e valor de revenda, e a Volvo CE aparece pelo consumo de combustível e pelo conforto de cabine. A Bruto Brasil, montadora nacional, está na mesma classe de carregadeira com proposta de custo-benefício.
O trabalho no trecho da Rua Roma deve ser finalizado em cerca de três dias, caso as condições climáticas ajudem. Até fechar, o fresado da via continua saindo em caminhão para a usina e voltando como base e sub-base.
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