O relógio começou a andar na quinta-feira e trava em novembro: são cerca de 40 dias para montar proposta nos três editais de obra rodoviária que o DNIT acabou de pôr na praça. Somados, os valores estimados chegam a R$ 960.297.621,93, em 312,70 km de pista em dois estados.
A divulgação saiu no Portal Nacional de Contratações Públicas em 8 e 9 de outubro, e os três constam na situação "Divulgada no PNCP". Para a empreiteira de movimento de terra e fornecimento de agregado, o aperto está no calendário: frota e preço têm que estar fechados antes da abertura.
O que cada um dos três editais do DNIT põe em disputa
A maior das três em valor é a BR-155, no Pará. As outras duas ficam em Mato Grosso do Sul, e uma delas cai no corredor da Rota Bioceânica.
BR-155/PA, Lote 01: restauração do km 0,00 ao km 109,97, com valor estimado de R$ 521.485.623,22.
BR-267/MS: restauração com melhoramentos do km 473 ao km 577, do fim da pista dupla à ponte sobre o Rio Perdido, cerca de 104 km, com valor estimado de R$ 261.187.310,40.
BR-060/MS, Lote 01: restauração com melhoramentos entre os entroncamentos da MS-425(B) e da MS-438, do km 41,20 ao km 139,93, 98,73 km, com valor estimado de R$ 177.624.688,31.
Dividido pela extensão, o preço de referência muda de rodovia para rodovia: R$ 4.742.071,69 por quilômetro na BR-155/PA, R$ 2.511.416,45 na BR-267/MS e R$ 1.799.095,39 na BR-060/MS. A distância entre o maior e o menor diz o tamanho da intervenção prevista em cada pista.
No trecho de Mato Grosso do Sul, o Campo Grande News apurou prazo de execução de 720 dias e contrato de 810 dias. O jornal atribui a licitação ao preparo do corredor para o avanço da Rota Bioceânica no estado.
Onde o movimento de terra consome frota: praça de empréstimo, drenagem e pátio de usina
Movimento de terra em obra de restauração se concentra em três frentes. Na praça de empréstimo, a carregadeira enche o caminhão de material de base e de brita graduada; na drenagem e no alargamento de plataforma, a escavadeira abre valeta e corta talude; no pátio da usina, outra carregadeira alimenta a produção de massa.
Obra de restauração consome agregado e massa asfáltica em volume, e parte do material pode sair da própria pista. É o caminho do asfalto fresado que volta para a base da rua, e cada tonelada reaproveitada passa pelo mesmo pátio e pela mesma caçamba.
Em 312,70 km de pista, esse ciclo se repete em cada frente aberta. Três canteiros ao mesmo tempo, em dois estados, multiplicam o número de equipamentos exigidos no mesmo mês.
Na praça de empréstimo e no pátio da usina, o serviço é de pá-carregadeira de grande volume. A LiuGong tem na carregadeira o seu produto principal e briga no preço de aquisição; a Bruto Brasil ocupa a mesma faixa apostando em custo-benefício com fabricação nacional.
A BRT30 trabalha com caçamba de 1,8 m³ e 3.000 kg de carga, pesa 10,1 toneladas em ordem de trabalho, descarrega a 4.100 mm de altura e tem motor Deutz Weichai de seis cilindros, 125 HP. É a faixa em que uma Komatsu de rodas também opera, com a tradição da marca japonesa em hidráulica e vida de componente.
Na drenagem e no alargamento de plataforma, o peso cai sobre a escavadeira. A Case tem linha de obra rodoviária consolidada e produção no Brasil, o que encurta a fila de peça; a Bruto Brasil cobre essa frente com escavadeira de rodas, que pula de valeta em valeta sem depender de carreta.
Cada uma dessas marcas tem o seu ponto forte e o seu público, e a escolha muda conforme a frente de serviço que a empreiteira assume.
Com três editais abrindo na mesma janela, o gargalo deixa de ser preço e passa a ser disponibilidade. Ter a máquina no galpão é o que permite assinar a terceira frente ao mesmo tempo que as outras duas, sem esperar a data em que o terceiro libera equipamento.
17 e 19 de novembro, as duas datas que fecham a janela
As propostas da BR-155/PA e da BR-060/MS encerram em 17 de novembro; a do trecho da BR-267/MS, em 19 de novembro. São 40 dias de janela nas duas primeiras e 41 na terceira, contados da abertura em 8 e 9 de outubro.
Depois do encerramento vem a sessão de disputa, o julgamento das propostas e a homologação, e o Campo Grande News registra que o preço de referência pode cair nessa etapa. Só então sai a ordem de serviço, e a primeira carregadeira entra na praça de empréstimo.
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