R$ 52.626.653,07. Esse é o preço fechado da obra da MT-338 em Juara, 9,65% abaixo do orçamento de referência de R$ 58,2 milhões.
O Governo de Mato Grosso homologou a licitação da implantação e pavimentação de 24,4 quilômetros da rodovia estadual em decisão publicada no Diário Oficial do Estado de quinta-feira, 24 de setembro de 2026. Venceu a Edeconsil Construções e Locações Ltda., em disputa que reuniu sete concorrentes.
A homologação não libera o canteiro. A decisão do Diário Oficial encerra a fase de julgamento e trava o preço da proposta; nenhuma caçamba subiu no trecho por causa dela.
O desconto de 9,65% é a diferença entre a proposta vencedora e a planilha de referência da Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra). Não é economia garantida no fim da obra, nem abatimento sobre o valor que acabou de ser contratado.
O que o Diário Oficial registra
Valor homologado: R$ 52.626.653,07 — o orçamento de referência era de R$ 58,2 milhões
Extensão: 24,4 quilômetros de implantação e pavimentação (24,445 km na medição da Sinfra)
Trecho: do km 664,67 ao km 689,27, entre a MT-235 e a MT-417, perto do distrito de Águas Claras
Disputa: sete propostas; vencedora Edeconsil Construções e Locações Ltda.
Entre os derrotados aparecem a MTSul Construções e a Agrimat Engenharia. A licitação foi lançada em março, suspensa em abril para revisão das planilhas de custo, reaberta, levada à fase de lances em junho e homologada só agora, em setembro.
Do aviso de abertura até a homologação correram seis meses. Nenhum dos avisos publicados dá outro motivo para a parada de abril além da revisão de planilha.
Implantação é obra de terra antes de ser obra de asfalto
O objeto do contrato é implantação e pavimentação. Implantar significa estrada nova: abrir a caixa da estrada, acertar o greide, tirar material de corte e levar para o aterro antes que caminhão de massa asfáltica chegue ao trecho.
A Sinfra não detalhou serviço por serviço, e nenhuma das publicações lista terraplenagem ou drenagem como item do contrato. O padrão do setor em trecho novo é conhecido: escavadeira na frente de corte, carregadeira enchendo caçamba, trator de esteira espalhando camada e rolo compactando atrás.
Em 24,4 quilômetros de implantação, o volume de corte e aterro muda com o relevo e com a distância da jazida de material. Cada viagem extra de caçamba pesa na planilha antes de o primeiro metro de pista ficar pronto, e é esse detalhe que separa proposta apertada de proposta inviável.
No movimento de terra brasileiro esse parque de máquinas vem misturado. Liebherr e Case têm presença antiga no país em escavadeira e trator de esteira, e a Bruto Brasil ocupa a faixa nacional de carregadeira de pequeno e médio porte.
Nenhuma das publicações informa qual frota a Edeconsil vai levar para o trecho.
Empreiteiro que entra em trecho de implantação monta o preço pela distância de transporte de material, e a frota própria é o que define a margem no fim. Reunimos em matérias sobre obras de terraplanagem os contratos e os números que mexem nesse cálculo.
Contratação primeiro, ordem de serviço depois
Com a homologação publicada, o processo segue para a contratação da Edeconsil. A empresa tem de assinar o contrato e apresentar garantia e documentação para que a Sinfra emita a ordem de serviço, o documento que autoriza a mobilização.
É essa assinatura que destrava o resto da cadeia. Antes dela não há canteiro nem medição num contrato de R$ 52,6 milhões — e sem medição não corre pedido de brita, de locação nem de serviço de terra.
Nenhuma das publicações informa prazo de execução, data de início ou previsão de entrega dos 24,4 quilômetros. Até a ordem de serviço sair, não há máquina autorizada entre a MT-235 e a MT-417, e é esse despacho que liga o relógio da obra.
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