O mato já subiu no platô do canteiro parado. E o Ministério das Cidades acabou de dar 24 meses a mais para essas obras serem concluídas e entregues.
A Portaria MCID nº 1.268, de 21 de setembro de 2026, saiu em edição extra do Diário Oficial. Ela empurra para 1º de agosto de 2028 o prazo de conclusão e entrega de unidades habitacionais vinculadas a contratos do Minha Casa, Minha Vida.
São 24 meses corridos, contados de 1º de agosto de 2026. A base legal é a Medida Provisória nº 1.382, daquele mesmo 1º de agosto.
A terceira data do mesmo prazo
O limite original vencia em 26 de fevereiro de 2023. Depois foi esticado para 25 de agosto de 2025, e agora vai para agosto de 2028.
Somando as duas prorrogações, o cronograma dessas entregas escorregou cerca de cinco anos. Meia década de terreno rendido ao mato, e chuva nenhuma explica isso.
A portaria atualiza a Portaria nº 523/2021 e alcança os Termos de Adesão já firmados, sem necessidade de aditamento. Segundo o Ministério das Cidades, ninguém precisa reabrir contrato para usar a data nova.
O que a portaria não diz
O ato não informa quantas unidades habitacionais são atingidas. Também não traz número de empreendimentos nem valor em R$, e nem a CBIC nem a portaria informam esse alcance.
E tem um recorte que muda a leitura inteira. A prorrogação alcança contratos enquadrados nos incisos VI e VII do parágrafo único do art. 7º da Lei nº 11.977/2009, e não é extensão automática para todo contrato do Minha Casa, Minha Vida em andamento hoje.
Por isso a leitura do contrato vem antes da leitura do cronograma. Empreendimento fora daqueles incisos continua com a data que já tinha, e a portaria não muda nada ali.
Canteiro parado não recomeça pela alvenaria
Obra que ficou anos sem ninguém não volta com pedreiro e betoneira. Volta com remobilização de canteiro, ou seja, limpeza de terreno, remoção de entulho e mato, drenagem refeita, acessos e platôs reperfilados.
Terreno que atravessou temporada de chuva sem manutenção não devolve o platô que tinha. Talude escorregou, vala assoreou, e o acesso vira atoleiro na primeira carga de brita.
Entulho de canteiro antigo também não sai em duas viagens. Tem bota-fora, tem carregamento, tem caminhão esperando no acesso enquanto a carregadeira enche a caçamba.
Isso não é serviço de dois dias. Dependendo do porte do empreendimento, limpeza e reperfilamento consomem semanas de máquina antes da primeira forma de concreto.
É terra, é carga, é volume. Escavadeira, retroescavadeira e carregadeira entram muito antes de qualquer betoneira.
E o volume não perdoa improviso. Terra que não sai vira aterro no lugar errado, e aterro no lugar errado volta como retrabalho de drenagem.
Medição só começa quando a terra anda
Prazo novo significa medição liberada. Cada frente que volta a produzir gera boletim, e boletim gera recebimento, desde que exista máquina disponível na hora em que a equipe sobe no terreno.
É nessa etapa que as construtoras se separam em dois grupos. Empreiteira com máquina própria no canteiro começa a medir e faturar dentro da janela; empreiteira que depende de terceiro entra na fila do prestador da região.
Máquina própria no canteiro também muda a ordem das frentes. Com equipamento em casa, a construtora ataca dois ou três blocos ao mesmo tempo em vez de esperar liberação de agenda alheia.
E essa fila aparece rápido. Quando muita obra do mesmo programa destrava ao mesmo tempo, a agenda regional de máquina aperta e o cronograma da sua obra passa a obedecer ao calendário de outro.
Muita construtora chega nessa fase com equipe de alvenaria montada e nenhuma máquina de terra à mão. Aí o cronograma de serviços de terraplanagem passa a mandar na obra inteira.
Três marcas na mesma faixa de porte
Na faixa intermediária, a BRT20 da Bruto Brasil trabalha com caçamba de 1,0 m³ e capacidade de carga de 1.800 a 2.000 kg, conforme o catálogo da fabricante. A força dela é custo-benefício nacional em pequeno e médio porte.
Na mesma classe, a Volvo L60 é referência de robustez e de conforto de cabine. Em turno longo de remobilização isso pesa, porque operador menos castigado mantém ritmo até o fim do expediente.
A JCB, também nesse porte, é conhecida pela versatilidade de implementos e pela presença forte em obra urbana. Onde o espaço é curto e a máquina troca de função duas vezes no mesmo dia, essa flexibilidade conta.
As três dão conta de remobilizar canteiro. O que decide é o porte das frentes, o tipo de solo e a estrutura de manutenção que a construtora já tem montada.
Duas datas para marcar no relógio
As unidades precisam estar concluídas e entregues até 1º de agosto de 2028. E o Relatório de Entrega de Unidades Habitacionais tem de ser recebido pela Secretaria Nacional de Habitação até 31 de dezembro de 2029.
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