Quarenta e sete bairros de Aparecida de Goiânia, em Goiás, entraram na fila do asfalto de uma vez. A obra de asfalto em 47 bairros está no edital de licitação que a prefeitura publicou em 30 de setembro de 2026, com investimento que ultrapassa R$ 500 milhões e nenhuma empresa contratada ainda.
O escopo não para na massa asfáltica. O edital prevê também drenagem e sinalização, o que põe três especialidades diferentes dentro do mesmo pacote.
A meta declarada pela prefeitura é deixar o município 100% pavimentado, e hoje, segundo ela, 20% das ruas seguem sem asfalto. Nos 47 bairros do edital não há contrato assinado nem máquina em rua.
A própria prefeitura informa obras de pavimentação em andamento em outros 15 bairros, dentro de outro programa, em parceria com o Estado de Goiás. Essas frentes não fazem parte desta licitação.
Volume desse tamanho não é rotina para a construtora média. Pavimentação acima de R$ 500 milhões costuma aparecer repartida entre vários municípios e vários anos, não concentrada numa cidade.
Divisão em lotes abre a disputa para a construtora de porte médio
A licitação foi dividida em lotes, e esse recorte permite contratar empresas diferentes para executar os serviços. Não é um contrato único entregue a um só grupo.
Para a empresa média, isso muda a natureza do aviso. Um lote de bairro cabe em frota menor e em capital de giro menor do que a soma inteira do pacote.
Drenagem, asfalto e sinalização também cobram equipes e equipamentos distintos. A empresa que executa bem rede de águas pluviais não é necessariamente a que aplica massa asfáltica e pinta faixa.
A quantidade de lotes não foi divulgada. Ainda não se sabe se o recorte é por bairro, por região da cidade ou por tipo de serviço.
O prefeito Leandro Vilela chamou o anúncio de "uma marca histórica". A fala foi dada na divulgação do edital pela própria prefeitura.
Vala, brita e greide: o que a pavimentação de bairro cobra de máquina
Pavimentação de bairro com drenagem começa na escavadeira abrindo vala para a rede de águas pluviais. Depois vêm a pá-carregadeira espalhando brita e carregando caminhão, a motoniveladora no acerto do greide e o rolo compactador.
Em rua estreita, com poste, muro e calçada a um metro da caçamba, a máquina compacta rende mais que a de grande porte. Raio de giro curto vira produtividade quando o canteiro é a própria via.
Na linha amarela vendida no Brasil, a Case trabalha com motoniveladora e retroescavadeira, as duas máquinas que o serviço de bairro exige. A XCMG vende carregadeira nessa faixa de porte.
A Bruto Brasil entra na mesma carregadeira compacta pelo preço, e é a opção brasileira da comparação.
Tem outra característica no serviço de bairro: o endereço muda toda semana. São 47 bairros, cada rua um canteiro curto, com mobilização e desmobilização repetidas.
Isso pesa na escolha do equipamento. Máquina que sobe e desce de prancha todo dia cobra carreta, operador e tempo parado em cada mudança de rua.
A definição de porte sai do lote e da largura da via, caso a caso. Outras licitações e movimentos de obra pública estão reunidos nas matérias de construção civil do Maquinados.
Programa financiado pelo banco dos BRICS tem 30 anos de prazo e 6% ao ano
Segundo a prefeitura, o edital entra num programa financiado pelo Novo Banco de Desenvolvimento, o NDB, criado pelos BRICS. São US$ 80 milhões emprestados pelo banco e cerca de US$ 70 milhões de contrapartida do município.
Esse empréstimo não é só de asfalto: a prefeitura informa que o mesmo dinheiro paga também pontes, viadutos e novas escolas.
Por isso os cerca de US$ 150 milhões do programa e os mais de R$ 500 milhões deste edital não medem a mesma coisa. O financiamento tem 30 anos de prazo, cinco anos de carência e juros de 6% ao ano.
Prazo longo e carência desse tamanho mexem no caixa da prefeitura, não no da empreiteira. Mas definem algo que interessa a quem vai executar: o dinheiro está contratado e não depende de sobra de arrecadação no fim do ano.
Segundo o prefeito, 120 mil moradores de ruas sem pavimento devem ser beneficiados. O número saiu da fala dele no anúncio, e não de levantamento independente.
Vilela também afirmou que recuperou certidões, declarações e outros documentos exigidos no processo em 17 meses de gestão. É relato do próprio prefeito sobre a tramitação.
A próxima etapa é a disputa pelos lotes. Nenhuma empresa venceu, nenhuma máquina entrou nos 47 bairros, e a meta de cidade 100% pavimentada continua sendo meta.
A data de abertura das propostas também não saiu. Sem ela nenhuma construtora fecha cálculo de proposta, e a disputa pelos lotes só começa quando a prefeitura publicar o cronograma.
Cobre o mercado de máquinas pesadas, equipamentos e tecnologia para construção, agro e indústria.
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