São 620 mil metros cúbicos de solo: esse é o volume previsto de material que a tuneladora Hebe Camargo vai arrancar do subsolo da zona leste de São Paulo no trecho da Linha 2-Verde entre a futura estação Penha e o VSE Castelo Branco.
Terra não evapora. Ela vira bota-fora, enche caçamba e sai do canteiro em basculante, viagem atrás de viagem.
A escavação começou em 16 de outubro, uma sexta-feira, segundo o governo de São Paulo.
O trecho tem quase 5,8 km de túneis. A previsão é instalar 3.867 peças de concreto para formar o revestimento.
Uma máquina de 2,6 mil toneladas abrindo caminho sob a zona leste
A máquina tem 133 metros de comprimento e roda de corte de 11,67 metros de diâmetro.
O peso combinado chega a aproximadamente 2,6 mil toneladas. Segundo o governo de São Paulo, é a maior tuneladora já empregada em obras metroviárias da América Latina.
O início da escavação estava previsto para quinta-feira (15) e foi remarcado para sexta-feira (16) por causa das fortes chuvas que atingiram a Grande São Paulo na quarta-feira (14).
Para o empresário de obra, a cena é velha conhecida: chove de véspera e o cronograma inteiro anda para a frente.
A diferença está na escala do que sai do buraco depois.
Material escavado pede pátio, pilha organizada e caminhão na hora certa. Sem isso, a frente de obra engasga.
Obra desse porte puxa serviço em volta. Quando o túnel anda, andam também o transporte de terra, o aterro e a conferência de caçamba no portão.
Para o empresário que vive de movimento de terra, a obra do metrô é o retrato ampliado do próprio canteiro.
Tirar o bota-fora no mesmo ritmo em que o túnel avança
Escavar é metade do serviço. A outra metade é tirar o material do canteiro no mesmo ritmo em que ele aparece.
O desafio do empreiteiro é casar o que entra na pilha com o que sai no caminhão.
Nessa função, a capacidade de carga em quilos manda no dia. Uma concha a menos por hora vira caminhão parado no fim da tarde.
Carregadeira subdimensionada atrasa o basculante. Máquina grande demais encarece o aluguel e deixa capacidade sobrando.
A BRT30, da Bruto Brasil, tem capacidade de carga de 3.000 kg. A BRT25 trabalha com 2.500 kg.
A escolha entre as duas passa pelo tamanho da frente e pela distância até o basculante.
Em canteiro de túnel, o material não chega limpo. Solo úmido, brita e entulho aparecem no mesmo turno.
Bota-fora não espera. Pilha parada come espaço de circulação e atrapalha a manobra dentro do canteiro.
A Komatsu aguenta turno pesado e contínuo sem perder disponibilidade. A Bruto Brasil, montadora nacional, entrega troca rápida com terceira função hidráulica, o que ajuda quando a mesma máquina alterna caçamba e garfo no mesmo dia.
A JCB chega forte no acesso a peça de reposição no mercado brasileiro.
Em obras de terraplenagem, a decisão costuma ser a mesma: olhar a capacidade de carga em kg antes de olhar a etiqueta de preço.
28,5 km e 27 estações quando a expansão for concluída
A primeira etapa da expansão tem 8 km e oito estações.
Concluída a expansão, a Linha 2-Verde terá 28,5 km de extensão e 27 estações, com capacidade para transportar 1,5 milhão de pessoas por dia.
"Este é um dia histórico em que damos a largada realmente na escavação da Linha 2 em direção a Guarulhos", disse o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.
A frente de escavação partiu da Penha em direção a Guarulhos. O trecho em andamento termina no VSE Castelo Branco.
O número de 620 mil m³ é previsão para o trecho, não volume já retirado. As 3.867 peças de concreto também ainda estão por instalar.
A estimativa oficial é avançar em média 12 metros por dia. É nesse ritmo que a tuneladora segue da Penha rumo a Guarulhos.
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