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Fertilizantes e Grãos

MS guarda pouco mais da metade do que colhe: déficit de armazenagem chega a 12 milhões de toneladas

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André Camargo
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MS guarda pouco mais da metade do que colhe: déficit de armazenagem chega a 12 milhões de toneladas

O déficit de armazenagem em Mato Grosso do Sul chegou a aproximadamente 12 milhões de toneladas, segundo o Painel de Armazenagem do projeto SIGA-MS, da Aprosoja/MS, divulgado em 28 de setembro. No pátio, o número aparece como fila na balança, grão em bolsa de silagem e venda na pressa porque não sobra espaço no silo.

O painel aponta capacidade estática para 17,19 milhões de toneladas no estado. Para atender à recomendação técnica da FAO seriam necessários 29,22 milhões de toneladas de espaço, o que deixa Mato Grosso do Sul com 58,8% da capacidade recomendada.

A base do cálculo é a média das cinco últimas safras

A necessidade de 29,22 milhões de toneladas não sai da safra que está no campo agora. Segundo a Aprosoja/MS, o diagnóstico considera a média das cinco últimas safras de soja e milho, e o patamar de necessidade segue a recomendação técnica da FAO.

Entram no cálculo a soja de 2021/22 a 2025/26 e cinco safras de milho encerradas entre 2020/21 e 2024/25. O painel também mostra que 71 dos 78 municípios produtores de grãos do estado apresentam déficit.

O levantamento mapeou 799 complexos armazenadores em 65 municípios. Em 2023, como o próprio painel reporta, o déficit era de 21,53 milhões de toneladas, com necessidade estimada em 35,07 milhões naquele ano, quando o estado registrou a maior produção da série analisada.

A necessidade maior de 2023 reflete justamente aquele pico de colheita. O espaço construído segue atrás do que o estado colhe todo ano.

Com 58,8% do espaço recomendado, parte da safra sai da lavoura direto para o caminhão e para o armazém de terceiro. Isso encarece frete, aperta o prazo de venda e tira do produtor a escolha do melhor momento de comercializar.

O painel faz parte do projeto SIGA-MS. Entre os técnicos da Aprosoja/MS ligados ao trabalho estão o analista de economia Raphael Gimenes, o coordenador técnico Gabriel Balta e o analista técnico Lucas Santana.

Os números do painel

  • Capacidade estática de 17,19 milhões de toneladas, ou 58,8% do recomendado.

  • Necessidade calculada de 29,22 milhões de toneladas de espaço.

  • 71 dos 78 municípios produtores de grãos com déficit.

  • 799 complexos armazenadores mapeados em 65 municípios.

Cinco municípios detêm metade da capacidade estática

Dourados, Sidrolândia, Maracaju, Ponta Porã e São Gabriel do Oeste somam 49,9% da capacidade do estado, segundo o painel. Esses mesmos cinco respondem por 37,6% da produção.

Dourados sozinha tem 2,42 milhões de toneladas de capacidade. Ponta Porã e Maracaju, mesmo entre as maiores, acumulam juntas 2,43 milhões de toneladas de déficit.

A malha de silos também segue o asfalto. O painel mostra que 41% da capacidade estadual está em unidades localizadas até 30 km da BR-163 e 88,6% perto de rodovias federais, contra apenas 3,9% próximas de hidrovias.

A pressão sobre esse mesmo pátio não vem só do grão que sai do estado. Mais alojamento nas granjas empurra milho e farelo pela mesma estrutura, e o protocolo que abriu a China para miúdos suínos de Santa Catarina mostra o tamanho da demanda que a proteína animal coloca na fila da ração.

Carregadeira própria encurta a fila do pátio na colheita

Com silo cheio, muita lavoura vai para bolsa de silagem, leira coberta ou pátio de terra batida. Nesses casos, carregar granel, alimentar moega e puxar resto de secador fica com a pá-carregadeira.

No pico da colheita, o pátio vira gargalo em poucas horas. Máquina alugada ou serviço de terceiro disputa agenda justamente no dia em que todo mundo do município precisa do mesmo equipamento.

Na linha amarela, a Komatsu construiu fama de robustez e segura bem o preço na revenda de usados. A Volvo CE tem como marca de fábrica o conforto da cabine e o consumo baixo de combustível.

Na Bruto Brasil, o argumento é fabricação nacional com preço de entrada mais baixo. A BRT25, a mais procurada no agro, faz 2.500 kg de capacidade e 1,5 m³ de caçamba, com 4.100 mm de altura de descarga e motor Deutz Weichai de seis cilindros e 125 HP.

Na mesma classe de porte, a Volvo L60 é a referência tradicional do mercado. As três marcas dão conta do serviço de pátio de grãos, e a escolha passa por prazo de entrega, peça de reposição e preço fechado.

Comprar coloca o equipamento disponível no dia em que a colheitadeira anda. Rodando mais horas por safra, o custo por hora cai e o bem entra no patrimônio da empresa.

Linhas de crédito como o Finame diluem a compra em parcelas que cabem no faturamento da lavoura. O equipamento financiado segue no balanço depois de quitado.

O plantio da soja 2026/27 avança em Mato Grosso do Sul nas próximas semanas, e o espaço de silo do estado continua o mesmo retratado pelo painel de setembro. Sem armazém novo, o grão volta a esperar no chão, na bolsa e em cima do caminhão.

A
Redação
André Camargo

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