O déficit de armazenagem em Mato Grosso do Sul chegou a aproximadamente 12 milhões de toneladas, segundo o Painel de Armazenagem do projeto SIGA-MS, da Aprosoja/MS, divulgado em 28 de setembro. No pátio, o número aparece como fila na balança, grão em bolsa de silagem e venda na pressa porque não sobra espaço no silo.
O painel aponta capacidade estática para 17,19 milhões de toneladas no estado. Para atender à recomendação técnica da FAO seriam necessários 29,22 milhões de toneladas de espaço, o que deixa Mato Grosso do Sul com 58,8% da capacidade recomendada.
A base do cálculo é a média das cinco últimas safras
A necessidade de 29,22 milhões de toneladas não sai da safra que está no campo agora. Segundo a Aprosoja/MS, o diagnóstico considera a média das cinco últimas safras de soja e milho, e o patamar de necessidade segue a recomendação técnica da FAO.
Entram no cálculo a soja de 2021/22 a 2025/26 e cinco safras de milho encerradas entre 2020/21 e 2024/25. O painel também mostra que 71 dos 78 municípios produtores de grãos do estado apresentam déficit.
O levantamento mapeou 799 complexos armazenadores em 65 municípios. Em 2023, como o próprio painel reporta, o déficit era de 21,53 milhões de toneladas, com necessidade estimada em 35,07 milhões naquele ano, quando o estado registrou a maior produção da série analisada.
A necessidade maior de 2023 reflete justamente aquele pico de colheita. O espaço construído segue atrás do que o estado colhe todo ano.
Com 58,8% do espaço recomendado, parte da safra sai da lavoura direto para o caminhão e para o armazém de terceiro. Isso encarece frete, aperta o prazo de venda e tira do produtor a escolha do melhor momento de comercializar.
O painel faz parte do projeto SIGA-MS. Entre os técnicos da Aprosoja/MS ligados ao trabalho estão o analista de economia Raphael Gimenes, o coordenador técnico Gabriel Balta e o analista técnico Lucas Santana.
Os números do painel
Capacidade estática de 17,19 milhões de toneladas, ou 58,8% do recomendado.
Necessidade calculada de 29,22 milhões de toneladas de espaço.
71 dos 78 municípios produtores de grãos com déficit.
799 complexos armazenadores mapeados em 65 municípios.
Cinco municípios detêm metade da capacidade estática
Dourados, Sidrolândia, Maracaju, Ponta Porã e São Gabriel do Oeste somam 49,9% da capacidade do estado, segundo o painel. Esses mesmos cinco respondem por 37,6% da produção.
Dourados sozinha tem 2,42 milhões de toneladas de capacidade. Ponta Porã e Maracaju, mesmo entre as maiores, acumulam juntas 2,43 milhões de toneladas de déficit.
A malha de silos também segue o asfalto. O painel mostra que 41% da capacidade estadual está em unidades localizadas até 30 km da BR-163 e 88,6% perto de rodovias federais, contra apenas 3,9% próximas de hidrovias.
A pressão sobre esse mesmo pátio não vem só do grão que sai do estado. Mais alojamento nas granjas empurra milho e farelo pela mesma estrutura, e o protocolo que abriu a China para miúdos suínos de Santa Catarina mostra o tamanho da demanda que a proteína animal coloca na fila da ração.
Carregadeira própria encurta a fila do pátio na colheita
Com silo cheio, muita lavoura vai para bolsa de silagem, leira coberta ou pátio de terra batida. Nesses casos, carregar granel, alimentar moega e puxar resto de secador fica com a pá-carregadeira.
No pico da colheita, o pátio vira gargalo em poucas horas. Máquina alugada ou serviço de terceiro disputa agenda justamente no dia em que todo mundo do município precisa do mesmo equipamento.
Na linha amarela, a Komatsu construiu fama de robustez e segura bem o preço na revenda de usados. A Volvo CE tem como marca de fábrica o conforto da cabine e o consumo baixo de combustível.
Na Bruto Brasil, o argumento é fabricação nacional com preço de entrada mais baixo. A BRT25, a mais procurada no agro, faz 2.500 kg de capacidade e 1,5 m³ de caçamba, com 4.100 mm de altura de descarga e motor Deutz Weichai de seis cilindros e 125 HP.
Na mesma classe de porte, a Volvo L60 é a referência tradicional do mercado. As três marcas dão conta do serviço de pátio de grãos, e a escolha passa por prazo de entrega, peça de reposição e preço fechado.
Comprar coloca o equipamento disponível no dia em que a colheitadeira anda. Rodando mais horas por safra, o custo por hora cai e o bem entra no patrimônio da empresa.
Linhas de crédito como o Finame diluem a compra em parcelas que cabem no faturamento da lavoura. O equipamento financiado segue no balanço depois de quitado.
O plantio da soja 2026/27 avança em Mato Grosso do Sul nas próximas semanas, e o espaço de silo do estado continua o mesmo retratado pelo painel de setembro. Sem armazém novo, o grão volta a esperar no chão, na bolsa e em cima do caminhão.
Cobre o mercado de máquinas pesadas, equipamentos e tecnologia para construção, agro e indústria.
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