A Autoridade Portuária do Porto de São Francisco do Sul (SC) divulgou em 21 de outubro de 2026 a conclusão da dragagem de manutenção da dársena, a área interna de atracação e manobra. A dragagem no porto catarinense retirou 170 mil metros cúbicos de sedimento do fundo do mar, contra os 200 mil estimados na abertura da campanha, em 4 de setembro de 2026.
São 30 mil metros cúbicos a menos do que a autoridade portuária estimava remover quando a draga entrou na dársena, em setembro. A diferença equivale a 15%, em cálculo da reportagem sobre os dois números do próprio porto.
A dragagem no porto foi feita para manter a dársena em 14 metros
A campanha foi feita para manter a profundidade de 14 metros, necessária para as operações portuárias no local, segundo a Autoridade Portuária do Porto de São Francisco do Sul. Nada foi aprofundado: os 14 metros são a cota operacional já existente na dársena, e preservar essa marca era o objetivo declarado da obra.
A área dragada foi de 133 mil metros quadrados, o equivalente a cerca de 20 campos de futebol na comparação feita pela própria autoridade portuária.
Os sedimentos retirados foram colocados em alto-mar, numa zona determinada pelos órgãos ambientais, a 23 quilômetros do Porto de São Francisco do Sul.
A obra recebeu investimento de R$ 8 milhões, custeados com recursos próprios da Autoridade Portuária. O valor é o mesmo anunciado na abertura da campanha e foi repetido sem alteração no anúncio da conclusão, em 21 de outubro de 2026.
A contratação e o pagamento da obra são da Autoridade Portuária do Porto de São Francisco do Sul; a execução ficou com a Jan de Nul do Brasil, que operou a draga belga Galileo Galilei.
Galileo Galilei: 166 metros de casco e cisterna de 18 mil metros cúbicos
A draga tem 166 metros de comprimento e capacidade de carregamento de 18 mil metros cúbicos, o equivalente a cerca de 1.800 caminhões trucados, segundo a própria autoridade portuária.
É uma draga autotransportadora de sucção e arrasto, também conhecida como draga Hopper, com acomodação para 32 tripulantes.
A campanha começou em 4 de setembro de 2026, com previsão divulgada de conclusão em 10 dias. A divulgação da conclusão saiu 47 dias depois do início, em 21 de outubro de 2026, e nenhuma das fontes consultadas explica o intervalo.
Sem taxa de assoreamento e sem data para a próxima manutenção
O presidente do Porto de São Francisco do Sul, Cleverton Vieira, ligou a obra à rotina de atracação dos navios. "É uma demanda da comunidade portuária que estamos atendendo nesta obra, realizada com recursos próprios e que traz mais segurança e eficiência no momento da atracação e desatracação dos navios", afirmou.
O secretário de Portos, Aeroportos e Ferrovias de Santa Catarina, Ivan Amaral, tratou a dársena como área de extrema importância para as operações portuárias. "A conclusão deste trabalho demonstra a responsabilidade da gestão do Porto de São Francisco do Sul para manter a competitividade e a capacidade operacional", disse.
Para o operador portuário, a profundidade da dársena define até onde o navio pode ser carregado sem restrição de calado. Carga por viagem é o que define o custo por tonelada do embarque, tema recorrente nas notícias de logística portuária.
Nenhum ganho operacional foi quantificado: o anúncio fala em mais segurança e eficiência na atracação e na desatracação, sem informar tonelagem, número de navios ou tempo de espera.
A Autoridade Portuária também não divulgou a taxa de assoreamento da dársena nem quando será a próxima campanha de manutenção.
O aprofundamento do canal de acesso à Baía da Babitonga é obra distinta desta manutenção. É uma parceria público-privada voltada ao canal externo e a calado maior, fora da área interna de atracação desta campanha.
Cobre o mercado de máquinas pesadas, equipamentos e tecnologia para construção, agro e indústria.
Comentários (0)
Seja o primeiro a comentar.