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Portos e Logística

Prioridade de R$ 8,3 bilhões no Fundo da Marinha Mercante: três obras de porto concentram R$ 4,28 bilhões

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André Camargo
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Prioridade de R$ 8,3 bilhões no Fundo da Marinha Mercante: três obras de porto concentram R$ 4,28 bilhões

Um terminal de R$ 1,9 bilhão em São Francisco do Sul (SC) acaba de entrar na fila de análise de crédito, e com ele vem o canteiro. Esse projeto é uma das três obras de porto que ganharam prioridade de financiamento em 8 de outubro de 2026, R$ 4,28 bilhões somados.

A decisão saiu na 64ª reunião do Conselho Diretor do Fundo da Marinha Mercante, e a nota oficial do Ministério de Portos e Aeroportos foi publicada em 9 de outubro de 2026. No pacote inteiro são R$ 8,3 bilhões de prioridade para 26 projetos dos setores naval e portuário, em nove estados.

Aprovar prioridade ainda não libera desembolso. Segundo o Ministério de Portos e Aeroportos, a aprovação permite que os projetos avancem para a análise dos agentes financeiros, e a contratação e o desembolso dependem do cumprimento das condições de cada operação.

A nota cita 6.530 empregos diretos como potencial do conjunto dos projetos, cifra que depende de cada operação ser contratada. Desse total previsto, 1.800 estão no terminal de São Francisco do Sul.

Metade da rodada em três obras de porto

Os R$ 4,28 bilhões das três obras de porto equivalem a cerca de metade dos R$ 8,3 bilhões aprovados. Distribuído entre os 26 projetos, o pacote dá média da ordem de R$ 320 milhões por projeto.

Além do terminal catarinense, entram o canal de acesso do Porto de Paranaguá, com R$ 1,26 bilhão, e o terminal da Hanseatic Global Terminals em Aracruz (ES), com R$ 1,12 bilhão.

Na navegação interior, a nota oficial traz R$ 383,1 milhões para cinco embarcações da Unes Navegação Brasil, destinadas ao transporte de celulose e madeira na Lagoa dos Patos (RS).

Obra de terminal e de canal de acesso puxa máquina de movimentação muito antes de o primeiro navio atracar. Empreiteira de terraplanagem, retroárea e pátio de granel entra primeiro, e entra com equipamento de carga e descarga.

Tempo de ciclo decide a fila da frota

Em obra de porto e em terminal pronto, o número que manda na produtividade é o tempo de ciclo: quanto a máquina leva para encher, girar, descarregar e voltar. Minuto a mais em cada ciclo vira hora a mais no fechamento do turno.

São 3.500 kg de capacidade de carga na BRT35, pá-carregadeira de grande porte da brasileira Bruto Brasil, que disputa o segmento pelo preço da máquina nacional. Na mesma faixa de porte aparecem a sueca Volvo CE, que fabrica carregadeira de rodas em Pederneiras (SP), e a chinesa XCMG.

Capacidade de carga em kg é o primeiro número que o comprador de frota olha, porque ela define quantos ciclos a máquina fecha por hora. O efeito cai direto no custo de cada tonelada movimentada, assunto recorrente em outras notícias de logística.

Locadora de máquina pesada compra frota olhando esse calendário de obra, e empreiteira de terraplanagem faz o mesmo. Crédito aprovado como prioridade ainda não é ordem de compra, mas já entra no planejamento de quem precisa ter equipamento disponível.

Até setembro, o fundo somava R$ 38,9 bilhões aprovados em 2026, cerca de um terço dos R$ 115,4 bilhões em projetos aprovados desde 2023. Esse acumulado fecha em setembro e não inclui a reunião de 8 de outubro de 2026.

A 65ª reunião do Conselho Diretor está marcada para 10 de dezembro de 2026. Até lá, o que existe é prioridade aprovada, não contrato assinado.

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Redação
André Camargo

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