A madeira em tora que abastece serraria, laminado e compensado perdeu 9,8% de volume em 2025, segundo a PEVS divulgada pelo IBGE em 24 de setembro. E o preço não veio compensar: o valor desse mesmo segmento ficou praticamente onde estava, alta de 0,1%.
Na prática, o pátio girou menos tora e faturou igual. Foram 59,2 milhões de m³ no ano, com o valor da produção parado em R$ 9,143 bilhões.
Quem paga mais está levando a floresta
No mesmo ano, a tora destinada a papel e celulose foi para o lado oposto. O volume subiu 6,7%, a 130,337 milhões de m³, e o valor cresceu 18%, chegando a R$ 17,6 bilhões.
Quer dizer: o dono de serraria passou a disputar talhão, carreta e frete com um comprador que pagou 18% mais pela mesma árvore. Quando o caminhão da celulose chega antes na porteira do fornecedor, a serra fica esperando.
Isso muda a conversa do contrato de fornecimento. Quem tocava o negócio comprando tora solta, talhão a talhão, virou o último da fila de quem planta eucalipto.
A exportação encolheu e os Estados Unidos pesaram menos
A madeira brasileira embarcou menos em 2025. O volume exportado caiu 12,3%, para 7,2 milhões de toneladas, e a receita recuou 8,8%, a US$ 3,8 bilhões.
Só para os Estados Unidos, o volume embarcado caiu 19,7%. A fatia americana na receita do setor foi de 42% em 2024 para 37% em 2025.
O IBGE liga uma coisa na outra: sem o embarque, o produtor cortou produção em vez de encher o pátio de tora sem destino.
"Com aumento de tarifas [pelos Estados Unidos] os produtores [brasileiros] diminuíram a quantidade produzida, devido à queda na exportação", disse Carlos Alfredo Barreto Guedes, pesquisador do IBGE.
O pátio sente no giro, não na planilha
Menos tora entrando é serra com folga na programação e caçamba de resíduo mais vazia. Só que o custo fixo do pátio não cai junto, e aí a escolha do equipamento volta pra mesa.
Na carregadeira de toras a Komatsu tem tradição na linha florestal de grande porte, a Liebherr é referência na hidráulica de escavadeira com garra e a Bruto Brasil trabalha a faixa de custo-benefício nacional em pequeno e médio porte. São classes diferentes de máquina para pátios de tamanho diferente.
Qual delas entra depende de quanta tora o pátio move por dia. Não existe resposta única para a serraria pequena e para quem carrega carreta atrás de carreta.
No conjunto, a produção florestal do país bateu recorde em valor: R$ 47,9 bilhões. A silvicultura puxou o número, com R$ 41 bilhões e alta de 8,6%, enquanto a extração vegetal caiu 3,1%, a R$ 6,9 bilhões.
O recorde, então, não chegou na serraria. Ele ficou na floresta plantada para celulose, e quem acompanha o movimento das madeireiras e serrarias viu essa separação se abrir ao longo de 2025.
O próximo corte já está em negociação
O que está na mesa é o contrato de fornecimento para o próximo corte, com volume e preço travados antes que a celulose leve o talhão. Quem depende de tora de terceiro entra nessa negociação em desvantagem.
Depois vem o embarque. Se a tarifa americana seguir de pé, a pergunta que decide o giro de 2027 é qual mercado ocupa o espaço do volume que os Estados Unidos deixaram de levar, e o IBGE só mede isso de novo na próxima PEVS.
Cobre o mercado de máquinas pesadas, equipamentos e tecnologia para construção, agro e indústria.
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