O preço de fábrica dos produtos de madeira acumula alta de 5,5% em 2026, contra 3,47% da indústria brasileira inteira. Os dois números são do Índice de Preços ao Produtor (IPP) de agosto, divulgado pelo IBGE em 30 de setembro.
Isso dá cerca de 1,6 vez a alta média da indústria no mesmo período. São dois pontos percentuais de diferença, e eles caem direto na margem de quem serra, lamina e vende painel.
Preço de porta de fábrica, sem imposto e sem frete
O IPP mede o preço que a indústria cobra na saída da fábrica. Imposto e frete ficam de fora, e por isso o índice não corresponde ao preço do balcão da madeireira nem ao valor pago pela tora em pé.
O índice também não mede produção. Quanto de madeira saiu da fábrica é outra pesquisa do IBGE, com número próprio, e as duas podem andar em sentidos opostos no mesmo mês.
A divisão 16 da classificação do IBGE, que é a desta leitura, cobre serrados, painéis, laminados, compensados e artefatos de madeira. Móvel e celulose e papel ficam em divisões separadas, com índices próprios.
Essa separação importa na hora de comparar manchetes, porque o número da madeira serrada não é o número do móvel. Mais sobre o dia a dia do segmento está em outras notícias do setor de madeireiras e serrarias.
O número do mês, isolado, é fraco: 0,30% em agosto. A força do dado está na soma do ano, e é ela que aparece na hora de fechar a tabela de venda do trimestre.
A alta de 5,5% foi construída em maio e junho
A série mensal de 2026 mostra onde o acumulado se formou. Maio subiu 3,07% e junho subiu 1,57%, os dois maiores saltos do ano na atividade.
Nos outros meses o movimento foi miúdo ou negativo: janeiro marcou 1,09%, fevereiro caiu 0,59%, março subiu 0,26%, abril subiu 0,08% e julho caiu 0,37%.
Agosto fechou em 0,30%, uma retomada tímida depois do mês negativo. É pouco para sustentar leitura de aceleração, e por isso o dado que interessa continua sendo o acumulado do ano.
Em 12 meses, a atividade acumula 3,39%, menos que os 5,5% do ano. A alta está concentrada em 2026.
Na base dezembro de 2018 igual a 100, o índice da indústria geral fechou agosto em 170,70, acima dos 168,73 da madeira. A atividade corre mais rápido neste ano, mas o nível de preço acumulado desde 2018 ainda está um pouco atrás.
A indústria geral também subiu no mês, 0,36%, quase o mesmo passo da madeira em agosto. A distância entre as duas só aparece quando se olha o ano fechado.
O IBGE não explica na tabela por que a madeira sobe mais que a média da indústria. O instituto publica a variação de preço por atividade, sem apontar motivo.
O IPP de setembro é o próximo teste
O IBGE divulga o IPP de setembro nas semanas seguintes, no mesmo formato e na mesma tabela. Julho caiu 0,37% e agosto subiu 0,30%: a série está oscilando dentro de meio ponto.
Até a próxima divulgação, os 5,5% do ano e os 3,47% da indústria geral são os dois números que a serraria tem na mão para negociar preço de venda. Nenhum dos dois muda de valor no meio do caminho.
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