A arroba do boi gordo fechou a R$ 369,90 no dia 2 de outubro, o maior valor nominal diário já registrado pelo Indicador do Boi Gordo Cepea/B3. O recorde nominal anterior tinha sido cravado em abril deste ano.
O número tem escopo específico: arroba de 15 kg no Estado de São Paulo, à vista e sem Funrural, o chamado preço livre. A alta é seguida desde meados de setembro: na segunda-feira, 28 de setembro, o indicador estava em R$ 359,95.
E setembro inteiro já tinha vindo forte. A tabela do Cepea aponta alta de 5,78% no mês, fechado em 30 de setembro.
Os cinco últimos pregões antes do recorde
28/09: R$ 359,95 por arroba.
29/09: R$ 363,05.
30/09: R$ 364,30, com setembro fechando em alta de 5,78%.
01/10: R$ 366,50.
02/10: R$ 369,90, o maior valor nominal da série.
Todos esses valores são do Indicador do Boi Gordo Cepea/B3, sempre no Estado de São Paulo. O indicador é diário e não tem apuração no sábado, então 2 de outubro é a última referência da semana.
Na B3, contrato de outubro chegou a R$ 382,60
Na bolsa, o contrato futuro de outubro bateu R$ 382,60 em 30 de setembro, a maior cotação já registrada para a arroba na B3, acima do pico de R$ 372 de abril no mercado futuro, segundo a CNN Brasil.
Mas esse é preço de contrato negociado em bolsa, não o valor que o pecuarista recebe na porteira.
No campo, a apuração da Safras & Mercado, que é uma tabela diferente da do Cepea, mostrou em 2 de outubro médias de R$ 366,42 em São Paulo, R$ 360,29 em Minas Gerais e R$ 358,30 no Mato Grosso do Sul. Goiás apareceu a R$ 353,57 e Mato Grosso, a R$ 341,62.
A distância entre a praça paulista e a mato-grossense chega a quase R$ 25 por arroba nessa mesma apuração. Nas cinco praças desse mesmo levantamento, todas registraram valorização.
Escala curta de cinco a sete dias e o reflexo no cocho
A escala de abate está entre cinco e sete dias úteis, segundo a Safras & Mercado. Frigorífico com pouca fila de gado compra com menos poder de barganha, e isso sustenta a cotação.
Hyberville Neto, especialista em mercado pecuário da HN Agro, disse à CNN Brasil que pesquisas mostram queda de mais de 20% no gado confinado em setembro e menor número de fêmeas para abate. Ele atribui a efeitos do El Niño o atraso na entrega de animais de pastagem.
Para Fernando Henrique Iglesias, analista da Safras & Mercado, a dificuldade de fechar escala pesa mais no frigorífico pequeno e médio. O grande se abastece de confinamento próprio e de gado de parceria, o que lhe dá folga para esperar.
Arroba nesse patamar com escala curta é convite para lotar o cocho. Boi terminado mais rápido pega preço alto antes que a oferta normalize.
E terminar boi é trato todos os dias: silagem saindo do silo para o vagão misturador, com milho e farelo vindo do barracão.
Esse volume de trato pede máquina, e a pá-carregadeira é a peça que resolve. No catálogo da Bruto Brasil, a BRT25 é a mais procurada no agro: 2.500 kg de capacidade de carga, caçamba de 1,5 m³, 8.500 kg de peso operacional, 4.100 mm de altura de descarga e motor Deutz Weichai 6cc de 125 HP.
Na linha amarela importada, a SDLG chega mais barata na hora de comprar. A XCMG tem fábrica no Brasil e vende carregadeira no mesmo porte de caçamba.
A Bruto Brasil disputa pelo custo-benefício nacional e entrega sem fila de importação, o que conta para o confinamento que precisa tocar o trato ainda nesta safra.
Com arroba acima de R$ 340 em todas as praças da apuração da Safras & Mercado, confinar e terminar virou decisão de calendário. Outros números de custo de cocho e relação de troca estão nas matérias de pecuária do Maquinados.
A escala curta não se resolve em uma semana. Enquanto o confinamento não devolver volume e o gado de pastagem não entrar, o frigorífico pequeno segue correndo atrás de boi.
O indicador volta a ser apurado na segunda-feira. Até lá o que vale para o confinador é arroba a R$ 369,90 e frigorífico sem fila de gado.
Cobre o mercado de máquinas pesadas, equipamentos e tecnologia para construção, agro e indústria.
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