A pilha de adubo fosfatado no fundo do barracão é o primeiro lugar onde a crise do enxofre aparece para o revendedor de insumo.
Ela encolhe antes de a manchete chegar. O espaço que sobra no piso avisa primeiro que o boletim de preço.
A estimativa da indústria é de que o corte na produção de fertilizantes fosfatados do Brasil já tenha superado 50%, segundo o Sinprifert, o sindicato nacional das indústrias de matérias-primas para fertilizantes.
O enxofre subiu e a produção nacional de adubo fosfatado travou
O enxofre custava menos de US$ 100 por tonelada há cerca de um ano e, atualmente, está em US$ 1,1 mil por tonelada no mercado internacional.
Ele entra como insumo na fabricação do fosfatado. Quando o preço multiplica desse jeito, a fábrica desliga a linha e o granel some do mercado.
A estimativa do Sinprifert é de que 5 mil empregos, ao todo, estejam em risco com a redução nas operações das empresas. Na EuroChem, o acordo prevê a suspensão temporária das atividades de cerca de 450 funcionários, afirma Flavio Floriano, vice-presidente do Sindicato Metabase.
Somando as paralisações de Tapira e Uberaba, em Minas Gerais, quase 500 trabalhadores da Mosaic estariam em layoff. Em Patrocínio, o sindicato calcula 800 terceirizados demitidos e cerca de 30 dispensados da própria Mosaic.
Em Minas, a lista de unidades com paralisação ou corte passa por Serra do Salitre, Araxá, Tapira, Uberaba e Patrocínio.
Fora do estado, as unidades da Mosaic em Sorriso (MT), em Palmeirante (TO) e na Fospar, em Paranaguá (PR), seguiriam operando com produção reduzida, apurou o AgFeed. Em Catalão (GO) e Cubatão (SP), a chinesa CMOC está mantendo a produção de fosfatados e de ácido sulfúrico, segundo a mesma apuração.
Corte na produção nacional de fertilizante fosfatado acima de 50%, pela estimativa do Sinprifert
Enxofre a US$ 1,1 mil por tonelada, contra menos de US$ 100 por tonelada há cerca de um ano
5 mil empregos em risco no setor, pela estimativa do Sinprifert
O memorando assinado no Marrocos ainda não virou granel no porto brasileiro
Em 18 de setembro, o Ministério da Agricultura e Pecuária assinou em Jorf Lasfar, no Marrocos, um memorando de entendimento com a OCP Nutricrops.
O documento estabelece como referência a venda de 3,8 milhões de toneladas de fertilizantes fosfatados a operadores brasileiros. O volume equivale a 76% do déficit de 5 milhões de toneladas projetado pelo governo brasileiro para a safra 2026/27.
Memorando não é compra fechada. A aquisição fica condicionada às negociações comerciais entre a empresa marroquina e os operadores brasileiros, que serão responsáveis pela negociação.
Lá fora, a OCP reduziu em cerca de 30% a produção no Marrocos diante das condições do mercado. A Mosaic estima redução de 30% na aplicação de fosfatados no Brasil.
O papel está assinado em Jorf Lasfar. O granel de fertilizante ainda não saiu de lá.
Com metade da oferta nacional fora de linha, o barracão da revenda muda de função na virada para o plantio. Deixa de ser lugar de passagem e passa a definir quanto a revenda consegue atender em outubro.
Uma revenda com estrutura própria para receber, empilhar e girar granel compra quando o produto aparece e segura até a janela de aplicação.
A revenda que depende de consignação e de descarga alugada fica presa ao calendário do fornecedor. E o calendário do fornecedor, neste ano, é o da fábrica que desligou a linha.
A pressão de custo não está só no adubo. O IGP-10 de setembro mostrou o atacado em alta de 1,90%, enquanto o material de obra foi de 0,20% para 0,30%, pela apuração da FGV.
A carregadeira do barracão entrou na decisão de compra da revenda
Adubo em granel não anda sozinho. Recebimento, montagem de pilha e carregamento de caminhão dependem de uma carregadeira de pé todo dia da safra.
No barracão de fertilizante, a carregadeira de rodas é máquina de marcas como SDLG, LiuGong e Bruto Brasil.
O que pesa na escolha, no fim, é o que cada revenda já tem montado dentro de casa: pátio, operador e peça à mão.
O plantio 2026/27 abre com a oferta nacional ainda reduzida
A oferta nacional de adubo fosfatado não se recompõe em duas semanas. O acerto com o Marrocos ainda depende de contrato empresa a empresa, e a safra 2026/27 não espera assinatura.
O que travou a linha foi o preço do enxofre, e ele segue em US$ 1,1 mil por tonelada. O memorando de Jorf Lasfar não mexe nesse número.
Cobre o mercado de máquinas pesadas, equipamentos e tecnologia para construção, agro e indústria.
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