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Materiais de Construção

INCC-M: materiais para estrutura saltam de 0,07% para 0,72% em outubro, e a mão de obra desacelera

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André Camargo
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INCC-M: materiais para estrutura saltam de 0,07% para 0,72% em outubro, e a mão de obra desacelera

O insumo da obra mudou de patamar. O subgrupo de materiais para estrutura, dentro do INCC-M, passou de 0,07% em setembro para 0,72% em outubro, cerca de dez vezes a taxa do mês anterior, e é esse salto de 0,65 ponto percentual que dá o tamanho da pressão no custo de material de obra.

O índice cheio subiu 0,35% no mês, acima dos 0,25% de setembro, diferença de 0,10 ponto, segundo a nota divulgada pela FGV em 27 de outubro, a única instituição que calcula o indicador.

Em doze meses, o índice acumula 6,75%, contra 6,58% nos doze meses encerrados em outubro de 2025, 0,17 ponto a mais, ritmo de encarecimento um pouco mais forte do que o do ano passado.

O INCC-M mede custo de insumo e de serviço dentro da obra em sete capitais: Salvador, Brasília, Belo Horizonte, Porto Alegre, São Paulo, Recife e Rio de Janeiro. O balcão da loja e a média do país ficam fora dessa medição.

Material a 0,41%, mão de obra em desaceleração

Não foi tudo junto.

O grupo de Materiais, Equipamentos e Serviços subiu 0,40% em outubro, contra 0,17% em setembro, e dentro dele a linha de Materiais e Equipamentos passou de 0,17% para 0,41%, avanço de 0,24 ponto.

A Mão de Obra foi no sentido inverso: marcou 0,27% em outubro depois de 0,37% em setembro, recuo de 0,10 ponto que puxa a média para baixo e disfarça o que está pesando do lado do material.

Serviços passaram de 0,15% para 0,31%, com o item projetos saindo de 0,10% para 0,44%. Cinco das sete capitais aceleraram no mês, o Rio de Janeiro repetiu a taxa de 0,20% e Recife foi a única a desacelerar.

Para o depósito, isso chega pela nota do fornecedor.

Quem toca pátio não sente índice, sente a carga a granel que chega mais caro na descarga e o estoque comprado em setembro que não se repõe pelo mesmo valor da nota anterior, o que empurra a remarcação antes de o giro virar.

Estoque comprado barato dá folga curta, e a hora de apertar a caneta no preço de venda chega junto com a próxima carga que entra no pátio, não no dia em que o índice sai, e quem não fez a conta de reposição acaba vendendo pelo custo velho.

Em setembro, o cimento já tinha dado o sinal, com a queda de 5,7% na venda de cimento no Sudeste, um mercado comprando menos antes de o custo do insumo acelerar.

Juros: 2º maior nível da série da CNI, iniciada em 2015

Do outro lado do balcão, a sondagem da CNI feita com a CBIC olha a indústria da construção, as construtoras, e mostrou o índice de acesso ao crédito caindo 1,4 ponto, de 39,3 para 37,9 pontos, a 12,1 pontos da linha de 50 que separa facilidade de dificuldade.

Quatro em cada dez empresários do setor apontaram as taxas de juros elevadas como o principal problema do terceiro trimestre, aumento de 3,8 pontos percentuais em relação ao segundo trimestre e o segundo maior nível de uma série que começa em 2015.

O pico ainda é o segundo trimestre de 2023.

A carga tributária aparece como segundo entrave, assinalada por 31% dos empresários contra 33,6% no trimestre anterior, e a mão de obra não qualificada vem em terceiro, de 28,6% para 29% das assinalações.

A CNI ouviu 305 empresas entre 1º e 13 de outubro, sendo 120 pequenas, 125 médias e 60 grandes, e os entraves apontados dizem respeito ao terceiro trimestre, mesmo com a coleta tendo sido feita já em outubro.

Construtora com crédito mais curto compra em lote menor e estica prazo, e quem tem depósito conhece o efeito nas duas pontas: reposição mais salgada na entrada e pedido de prazo na saída.

Os números da rodada

  • Materiais para estrutura, subgrupo do INCC-M: de 0,07% em setembro para 0,72% em outubro

  • Materiais e Equipamentos: 0,41% em outubro, contra 0,17% em setembro

  • Mão de Obra: 0,27% em outubro, contra 0,37% em setembro

  • Acesso ao crédito na indústria da construção, 3º trimestre, pela CNI com a CBIC: de 39,3 para 37,9 pontos

O próximo dado do calendário sai em 29 de outubro, quando a FGV divulga o IGP-M fechado do mês, índice que carrega o IPA do atacado e mostra o preço do insumo um degrau antes de chegar ao pátio do depósito.

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Redação
André Camargo

Cobre o mercado de máquinas pesadas, equipamentos e tecnologia para construção, agro e indústria.

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