O Consórcio Águas do Paraná venceu em 28 de outubro o leilão da 1ª etapa do Sistema de Abastecimento Integrado do Norte do Paraná, o SAINP, da Sanepar, pacote de obras de saneamento com investimento direto estimado em R$ 679,2 milhões.
A disputa foi na sede da B3, em São Paulo, e terminou com uma proposta válida apenas, um Valor Mensal de Locação de R$ 9,03 milhões, com desconto de 3% em relação ao valor máximo previsto no edital, fixado em R$ 9,31 milhões.
A Sanepar segue responsável pela operação integral do sistema de abastecimento. O contrato trata de locação de ativos, e a companhia continua operando a água que chega à torneira.
Uma proposta válida e teto de R$ 9,31 milhões por mês
O consórcio reúne a Blueocean (Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia), a PB Construções e a TGA Construção e Segurança Viária, arranjo que junta o dinheiro do fundo a duas empresas de execução de obra.
O certame recebeu uma proposta válida só. As fontes consultadas não informam por que um pacote desse tamanho atraiu um único interessado.
Venceu o leilão quer dizer que a proposta do consórcio foi a melhor classificada no certame de 28 de outubro, e nada além disso: as fontes consultadas não informam se houve homologação do resultado nem se a habilitação está concluída, e nenhuma delas descreve que etapas vêm entre o resultado e a assinatura.
O pagamento ao vencedor está estruturado em 216 meses de locação, prazo que as fontes descrevem como 20 anos e 6 meses no total, e é esse Valor Mensal de Locação que remunera o que for enterrado e erguido no canteiro.
Na prática, locação de ativos funciona assim: o consórcio implanta as estruturas e recebe um valor mensal pelo uso delas, enquanto a Sanepar permanece com a operação integral do abastecimento nas cidades atendidas.
216 meses de locação e até 30 meses de obra
Investimento direto estimado nas obras: R$ 679,2 milhões
Valor Mensal de Locação: R$ 9,03 milhões, contra teto de R$ 9,31 milhões
Prazo de obras: até 30 meses
Vazão adicionada na 1ª etapa: 1.200 litros de água tratada por segundo
Apucarana, Arapongas e Rolândia na primeira leva do SAINP
A 1ª etapa cobre Apucarana, Arapongas e Rolândia e adiciona 1.200 litros de água tratada por segundo ao sistema, reforço que, segundo a Sanepar, vem de dois mananciais e exige estrutura nova de captação, tratamento e adução.
São 800 litros por segundo do Rio Taquara e 400 litros por segundo do Ribeirão Apertados, divisão que já indica em que bacias o serviço de campo vai se concentrar quando a obra entrar em regime.
Tirar 1.200 litros por segundo de dois cursos de água e entregar isso tratado na ponta é serviço de adutora e de vala aberta em três municípios vizinhos, com todo o movimento de terra, bota-fora e aterro que vem atrás.
O prazo de obras é de até 30 meses. É nessa janela que a empreiteira tem de fechar frente de serviço, subcontrato e máquina.
O que a locação de ativos abre para quem toca canteiro
Para a construtora da região, o que interessa é o subcontrato: um pacote de R$ 679,2 milhões em obra pulveriza terraplenagem, assentamento de tubulação e recomposição de pavimento, e isso aparece primeiro na locação e na compra de equipamento.
Carregar caminhão e manter a frente de vala andando num pacote de 30 meses pede máquina de 3.000 kg de carga. É o porte da pá-carregadeira BRT30 da Bruto Brasil, com 10.100 kg de peso operacional e motor Deutz Weichai 6cc de 125HP.
Na mesma comparação o comprador de obra grande olha também Komatsu e JCB, e a definição no canteiro do SAINP sai do que cada frente precisa mover por dia e do que a empreiteira já tem na frota.
Para a cadeia regional, canteiro desse tamanho em três cidades vizinhas significa demanda simultânea por caminhão, escavadeira e carregadeira, com disputa por equipamento e por gente treinada em assentamento de tubulação.
Diferente do SAINP, que vai ao mercado por locação de ativos, a duplicação de rodovia federal é levada a leilão como concessão, caminho do edital da ANTT para a duplicação da BR-116 na Bahia. São dois arranjos diferentes para abrir canteiro.
Wilson Bley, diretor-presidente da Sanepar, resumiu o peso do projeto na ocasião do leilão. "Esta é uma das obras mais importantes do saneamento na história do Paraná", disse.
O calendário que interessa a quem toca obra é o dos até 30 meses previstos para a execução da 1ª etapa, janela que só passa a correr depois das etapas administrativas que as fontes consultadas não informam.
Cobre o mercado de máquinas pesadas, equipamentos e tecnologia para construção, agro e indústria.
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