Na usina de asfalto da Codeca, em Caxias do Sul (RS), os bicos injetores do sistema a óleo diesel entopem e cobram manutenção frequente, segundo a Rádio Solaris. Agora a empresa pública municipal vai tirar o diesel do queimador e botar gás natural no lugar.
O ato que destravou a troca é de 22 de outubro de 2026: a ordem de início das obras da rede de gás natural que vai abastecer a usina, assinada no estande da Prefeitura na 35ª Mercopar.
Quem paga a rede é a Sulgás, com R$ 5 milhões de investimento privado em cerca de 2 km de gasoduto subterrâneo entre a Rota do Sol e a usina. A Codeca entra com R$ 450 mil de contrapartida, e a conta do pátio muda de linha: sai litro de óleo, entra metro cúbico de gás.
Quem põe os R$ 5 milhões e quem recebe o gás
O dinheiro da obra não sai do caixa da usina nem da Prefeitura de Caxias do Sul. A rede é investimento privado da Sulgás, distribuidora de gás natural do Rio Grande do Sul.
Do lado de quem recebe o gás, a contrapartida da Codeca no projeto é de R$ 450 mil, conforme a Rádio Solaris.
É esse desenho que interessa a quem tem usina de concreto ou de asfalto no pátio: a distribuidora põe o duto e o cliente entra com uma fatia pequena. Aqui a fatia da Codeca fica em menos de um décimo do que a Sulgás investe na rede.
O contrato de fornecimento que sustenta o arranjo é anterior: cinco anos de vigência, assinado na primeira semana de outubro, e dimensionado para até 40 mil metros cúbicos de gás natural por mês, teto contratado e não consumo de hoje.
Os 24 mil litros de óleo que a Codeca prevê deixar de queimar por ano
A Codeca prevê deixar de usar, em média, 24 mil litros de óleo por ano com a troca do diesel pelo gás natural. O número está em uma fonte só, a Rádio Solaris, e é média anual, não consumo de um mês.
Em dinheiro, a economia prevista com a troca fica entre R$ 500 mil e R$ 520 mil por ano, conforme o veículo: cerca de R$ 500 mil na Rádio Solaris, e R$ 520 mil como economia inicial projetada pela Codeca na Rádio Caxias. É projeção para depois da troca, não economia já feita.
O diretor-presidente da Codeca, Milton Balbinot, deu três motivos à Rádio Solaris para a troca: reduzir emissão de poluentes, ampliar disponibilidade e confiabilidade dos equipamentos e diminuir custos operacionais.
Disponibilidade, nessa lista, é a hora de pátio que não se perde desentupindo bico injetor. Se o pátio já trocou insumo caro por alternativa mais barata, a conta é conhecida: no recape com asfalto reciclado em Londrina a troca foi na massa, e em Caxias é na chama.
Caminhão primeiro, duto só em 2027
Antes do duto, o gás chega de caminhão, e é nesse ponto que as duas fontes param de bater. A Rádio Solaris escreve que o fornecimento inicial, por gás natural comprimido em caminhões, começa na primeira quinzena de janeiro de 2027, em até 100 dias depois da assinatura do contrato.
A Rádio Caxias diz que a operação começa a partir de dezembro, também com entrega por caminhão.
As duas batem em uma coisa: o duto entre a Rota do Sol e a usina fica para 2027. A Rádio Solaris acrescenta que as obras da rede começam em novembro e que a rede deve estar concluída no primeiro semestre de 2027.
O porte da carregadeira que enche o silo frio
Gás ou diesel no queimador, em usina de asfalto quem enche os silos de agregado frio é a carregadeira do pátio. E porte certo, aqui, é o que acompanha o ritmo do secador sem máquina grande demais para o que o pátio move por dia.
No catálogo da Bruto Brasil, a faixa intermediária dá conta de pátio de volume médio, com caçamba de 1,1 m³ na BRT23 e 1,5 m³ na BRT25, e o volume alto encosta na BRT30, de 1,8 m³, ou na BRT35, de 2,0 m³.
A Bruto Brasil entra nessa escolha pelo custo-benefício nacional, a Volvo CE pelo consumo de combustível e a XCMG pela rede de assistência e de peças. Qual das três serve se resolve no custo por hora do pátio e no prazo de financiamento que a usina consegue carregar.
O que nenhuma das duas fontes põe na mesa é o preço: nem o metro cúbico do gás contratado, nem o litro do óleo diesel que entra na economia declarada. Sem esses dois números, a faixa de R$ 500 mil a R$ 520 mil por ano segue como projeção de quem assinou, e não dá para fechar quanto tempo a conversão do queimador leva pra se pagar.
Também não há, nas fontes, quanto a Codeca gasta hoje por ano com óleo diesel na usina, nem quanto sai o metro cúbico entregue por caminhão em relação ao gás canalizado de 2027.
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