A Polícia Federal e o Ibama cumpriram cinco mandados de busca e apreensão no sudoeste do Pará em 21 de outubro, na Operação Saldo Zero, contra exploração e venda irregulares de madeira. Para a serraria legal, o que está em jogo é documental: em um dos estabelecimentos, diz a PF, o Sisflora registrava saldo inexistente de produtos florestais.
Mandados em serrarias de Anapu, madeireira em São Domingos
Foram dois municípios atingidos no sudoeste do Pará: Anapu e São Domingos do Araguaia. Quatro dos cinco mandados bateram em estabelecimento do setor, três mandados em serrarias de Anapu e um em madeireira.
O quinto foi cumprido em endereço vinculado a um dos investigados, apontado pela PF como dono de uma das serrarias.
A PF diz ter encontrado indícios de atividade suspensa ou embargada pelos órgãos ambientais, e também falta de licenças e autorizações.
O Sisflora, sistema estadual do Pará, controla o saldo de produto florestal de quem explora, beneficia e vende madeira.
Sobre a procedência, a PF afirma que parte da madeira poderia ter saído de florestas públicas federais, e que o ponto segue sob investigação. O release não tipifica crime, não cita pena e não fala em prisão.
A PF não divulgou volume apreendido nem valor de madeira nesta operação.
Rastreabilidade é linha de custo do pátio legal
Controle de origem custa dinheiro todo mês no pátio que está em dia. Emitir guia, manter saldo no Sisflora e guardar prova de procedência de cada carga consome gente e hora de escritório.
É custo fixo, e entra no preço da madeira serrada.
O estabelecimento irregular não carrega essa conta.
Serraria com saldo inexistente no Sisflora não emite guia, e a tora fica no pátio sem virar nota. Quem compra desse fornecedor herda o problema: carga retida e contrato que não fecha.
Checar embargo e saldo do fornecedor antes de fechar a carga virou item de custo do comprador.
O controle de origem já travou carga em outro ponto da cadeia, caso da madeira apreendida no Porto de Santos sob regra da Cites, e no pátio da serraria a conferência também começa pela origem da tora.
O que o pátio tem de ter em ordem quando a vistoria chega
Quando cai vistoria ou conferência de carga, o carregamento de tora para e o caminhão fica em cima do relógio. Com carregadeira no pátio, o serviço volta no mesmo turno em que o fiscal libera a carga.
No porte que a serraria usa para tora, a Komatsu é procurada pela robustez e pelo valor de revenda, a BRT25 da Bruto Brasil pela caçamba de 1,5 m³ no equilíbrio entre força e custo, e a John Deere pela linha florestal e pela rede de concessionária no interior.
Qual delas encaixa muda de serraria para serraria: hora de máquina, implemento e peça disponível perto do pátio.
O que corre agora para o dono de serraria é documental.
A lista é curta: saldo em dia no Sisflora e licença válida para explorar, beneficiar e vender madeira. São os dois pontos que a PF diz ter encontrado em falta na operação de 21 de outubro.
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